terça-feira, 13 de junho de 2017

CONTO EVANGÉLICO: A GRANDE VOLTA

A irmã Lurdes era casada há 10 anos. O marido dela trabalhava numa empresa que fabricava peças para automóveis, perto de Jaboatão. Era uma mulher de trinta anos, cabelos encaracolados, olhos escuros,pele negra, e tinha 1,65 de altura. Era uma mulher dócil, de oração, e era da comissão do Círculo de Oração.
Todo dia o marido saía para trabalhar, de cinco horas da manhã, e pegava o ônibus. Todo dia nesse horário. Perto do lugar onde pegava o ônibus subia sempre alguns colegas, entre eles Mirtes, uma colega de trabalho, que acabara de entrar na empresa. Que bom era encontrar os colegas, ir conversando, e, depois, tomar café naquela transnacional, todo dia. Nosso amigo estava dando as dicas para a mais nova amiga se dar bem na empresa. Embora fosse treinada, as dicas eram necessárias, pois dava mais segurança a ela, como se portar bem nela.
Voltava às seis da tarde, todo dia, no ônibus da empresa, que passava pelo bairro. Se conheceram tão bem, com o tempo, que terminaram tendo um relacionamento. Três meses depois ele foi morar com ela, abandonando a irmã Lurdes com dois filhos. Infelizmente, as crianças sofreram bastante com a ausência do pai, aos quais ela dizia que estava “viajando”. Foi triste, a família desfeita, as tristezas, a ausência do pai, que, depois de uns meses, começou a visitar eles, e ficava sem explicar direito a ausência dele. Elas choravam.
Três anos se passaram, e a irmã Lurdes orava bastante. Algumas amigas da igreja aconselhavam ela a deixar ele, pois fora traída, e em Mateus dizia que se o cônjuge for traído, pode casar de novo, era uma exceção, etc. Ela era daquelas crentes que acreditava tanto na seriedade do casamento, que mesmo tendo razão em casar com outro, pois era verdade, nesse caso, não queria abrir mão do casamento. Tinha dois filhos, não queria outro homem em sua vida, era ruim demais! Não era assim que se resolvia, preferia orar.
---- Você é muito ingênua , Lurdes, ele te traiu, pode casar de novo!, dizia Gemima, amiga da igreja.
---- Prefiro esperar em Deus, ele é fiel, vai me dar vitória! Não acho certo casar com outro homem, eu sei que é um direito na Bíblia, nesse caso, mas dentro de mim eu sei que vou ser vitoriosa. Não me imagino com outro homem, fazer outra vida junto, e eu não sei como vai ser, minhas crianças vão sofrer, e estarei sendo egoísta, pensando só em meu bem, e eles sofrendo. Não quero.
Ela passavao dia orando no círculo de oração, tanto o dela, quanto os de outras congregações, e até outras igrejas, pois como não dava para ir sempre para sua congregação, ela ia para uma perto de sua casa. A dela ela era a azul, a outra, verde. Eram padronizadas. Fez muitas amizades com as irmãs da igreja verde, que sabiam do seu drama, e oravam. Ela sabia que ia ter vitória, sentia isso. Quando seu marido ia ver os filhos, ela tinha uma crise de choro, ao ver ele. Sabia que fora um laço do Diabo, ele fora avisado, mas se achava maduro, era presbítero da igreja, e perdera a comunhão com Deus por causa dessa mulher! Não vigiara.
De repente, soube que ele estava doente, uma doença mito grave, três meses e vida, só. A mulher o abandonara por outro amigo seu, na mesma empresa, e ele entrou em benefício, ficando com sua esposa, a única que amava ele de verdade, que esperara por ele esses anos. A luta agora era para Deus o curar, não havia remédio, ia morrer mesmo. Se reconciliara com a igreja, foi perdoado, “mas o cargo não ia ter de volta”, disse o pastor. Depois de meses de sofrimento, chegou quase ao fim da vida, Deus enviou um irmão lá e curou ele. Foi algo notório. O médico não entendeu nada. Teve de admitir o sobrenatural. Algumas enfermeiras aceitaram Jesus, e outros pacientes.
Irmã Lurdes, depois de três meses, deu um culto de agradecimento, e convidou as irmãs da igreja verde. Seu marido voltou para o presbitério, mesmo sem o pastor querer isso, e até outras pessoas do ministério. Terminaram aceitando o fato, porque foi a vontade de Deus. Foi linda a festa, e a vitória. Valeu a pena!
–--- E então, Gemima, diz algo! Não disse que ia ser vitoriosa? Deus é fiel, eu venci. Vá eu fazer o que você disse!
–-- É Lurdes, nem sempre a lógica deve ser seguida, você estava certa! Que vitória né? Serve de lição para mim.
Lurdes, então, se fortaleceu em Deus mais e mais, e outras irmãs, que passavam pelo mesmo drama, se fortaleceram em Deus, e tiveram certeza que iam ser vitoriosas também.




Por  Leo Nardus Mouras