quinta-feira, 9 de março de 2017

ISTO TUDO OCORRIA NO TEMPLO CENTRAL



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Eu me lembro bem do restaurantete que tinha no Templo Central, na parte de trás. O movimento era muito intenso, muita gente ficava lá, conversando o tempo todo.
O restaurante do irmão Reginaldo Brás ficava lotado de pastores, que vinham do interior, e tomavam café, almoçavam, e jantavam.  Então, antes do culto de Santa Ceia e de festas, vinham muitos irmãos para passar uns dias, e comiam no restaurante do irmão Reginaldo. Com certeza as despesas eram enormes!
Ali, num box que ficava bem embaixo do primeiro andar onde hoje ficam as crianças, havia uma livraria muito movimentada, onde eu passava um bom tempo lendo livros que eu nunca comprava por falta de dinheiro, pois ainda era adolescente. O que me salvava era uma biblioteca que ficava do lado oposto ao da livraria, que tinha como cuidadora uma jovem muito educada e bondosa. Eu fiquei sócio doando um livro chamado “Força para viver”, muito famoso na época. Passava horas ali, lendo, e pedindo livros emprestados que muito me ajudaram. Ao assumir, o pastor Aílton pôs sua filha como diretora dessa biblioteca, e levou os livros para o Torreão, e os irmãos deixaram  de pegar livros emprestados. Segundo foi afirmado, havia muitas perdas de livros, e não mais poderia ser emprestados. Mas o que isso pode impedir a igreja de ter sua própria biblioteca aberta para todos? Na parte de trás do templo, ficava um irmão engraxando os sapatos dos pastores e outros; passou um bom tempo trabalhando com isso ali.
O "Parabólica"  era um jornal que  era apreciado por  todo mundo; aparecia de repente, e anunciava tudo o que ocorria, segundo o jornal, nos bastidores. Quando alguém jogava ele próximo ao Templo Central, não tinha para ninguém, todos pegava o seu, pois acabava logo. A notícia corria rápido.
Naquele tempo havia muitos jovens por aquele corredor, que começava no portão, e ia até lá dentro, onde uma boa parte ficava azarando as meninas, marcando encontros e se divertindo, como se estivessem em um parque de diversão, ou numa festa pagã. Gente descomprometida com Deus e a igreja, e até incrédulos! Nos congressos de mocidade, aquilo ficava lotado, quase não dava para passar. Nas ceias então…
O templo Central não era como é hoje. Aquela parte anterior era um pátio, onde, nas festas, os irmãos lotavam ele e conversavam muito, além dos outros irmãos que enchiam esse pátio de discos, livros e outros artefatos evangélicos. A entrada para o templo eram várias portas de madeira que giravam para abrir. Ali, muitos irmãos ficavam cultuando e vendo quem estava no púlpito, embora fosse difícil às veze olhar lá para dentro. O templo ficava lotadíssimo. Em cima era a mesma coisa. Não havia aquelas salas lá atraś, no primeiro andar, mas um espaço, como um pequeno pátio, onde a gente subia e ficava olhando para a rua, a Cruz Cabugá. Em um dos lados dava para ver onde os jovens passavam o tempo conversando, os irmãos passando para lá e para cá.
Nas festas, geralmente, havia almoço, uma multidão ia comer lá atrás, no prédio, onde eram servidos os pastores e os demais irmãos. Filas enormes, dezenas de irmãs servindo a comida, que era muita, havia esse costume da igreja em servir almoço para todos ali no Templo Central. Hoje só há isso para o ministério, na Escola de Obreiros, e o dinheiro sai da inscrição que os irmãos lá fazem, pelo menos uma parte dele. Bons tempos.
O pregador mais conhecido na época, em Recife, era o irmão André Barbosa, que foi esquecido, pois saiu da nossa igreja após o pastor Aílton ter assumido, juntamente com outros, e, segundo disseram, não concordaram com a assunção do pastor. Não sei porque, pois isso foi chamada de Deus. Tinha uma bela mensagem, pregava muito. Ali eu vi, muitas vezes, e ouvia falar, pois era criança na época, dos pastores Geziel Gomes, Hidekazu Takayama, e Napoleão Falcão, os três maiores pregadores do Brasil daquela época. Há um áudio de uma mensagem do pastor Takayama, onde ele fala um pouco de sua chamada. Muito bonita. Teve um fato muito interessante sobre uma preleção de Geziel Gomes sobre missões, onde, no final da mensagem, ele pediu para os irmãos doarem uma oferta para missões. Os irmãos doaram até alianças do casamento, relógios, cheques, com tão boa vontade, que os pastores ficaram espantados, pois não havia sido feito até então algo parecido. Deus usava tanto esse homem, que ele expulsava demônios em nome de Jesus, curava também, pelo poder de Deus. A gente via muito isso naquela época.
Alguns cantores se apresentavam muito na nossa igreja, entre eles, Eliezer Rosa, que cantava com tanta unção que o fogo caía, e muita gente era batizada no Espírito Santo, salvas, curadas, e muitos outros milagres ocorriam. Não só ele, mas Leni Silva, que estava no auge naquela época. Eduardo Silva E Ziran Araújo eram outros que cantavam muito em nossa igreja. Ela se vestia de modo tão simples, era tão humilde, e ele um bom compositor. O cantor que ia muito cantar na Santa Ceia, e foi até agora há pouco, poucos anos antes de falecer, na gestão do pastor Aílton. Na Santa Ceia, lá estava Esdras, o cantor que foi arrebatado ao Céu e viu a “Linda Cidade”, que é tema de um de seus hinos. Quem estava preparado para cantar ia ali e cantava, e era uma bênção. Ninguém nem imagina que nossa igreja ia crescer tanto! Éramos de uma simplicidade tremenda. Quem viveu aquela época, viveram lindos anos de nossa igreja, a época de "ouro".
Os irmãos de hoje pouco sabem disso. Pena que poucos se preocupam em divulgar a história de nossa igreja, que, por sina,l é muito linda. Brevemente escreverei mais.

Por Mouras Nardus