sábado, 3 de dezembro de 2016

O ERRO GRITANTE DA HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA


No livro “História da Vida Privada, do Império Romano ao Ano Mil” (Companhia das Letras, 2007) coleção dirigida por Phillips Aries e George Duby, há um capítulo denominado “O Império Romano”, escrito por Duby, onde o autor traça os pormenores da sociedade romana, falando de coisas que normalmente não se falam nos livros de história que estamos acostumados a ler, como os livros que lemos no Ensino Médio, os quais fala da sociedade grego-romana de forma superficial.
Ao longo das páginas onde o autor tenta dissecar o Império Romano, desde a cama até ao Senado, ele quase não fala dos cristãos, e de toda a perseguição que eles sofreram nessa sociedade. É um erro muito sério que esses historiadores cometem, falando do império romano sem mencionar as perseguições que esses homens sofreram diante da fúria implacável dos imperadores e governadores, e das milhares de mortes que sofreram, o massacre desde Nero, que tocou fogo nas partes mais baixas do centro do império, e colocou a culpa nos cristãos. Decorreu disso uma grande perseguição contra eles. E esse livro não fez nenhuma menção disso, infelizmente, como uma coisa que não aconteceu, e, se aconteceu, não teve alguma relevância para a história nem para a sociedade.
Além do mais, o entendimento desses autores sobre a religião judaico-cristã é de uma superficialidade gritante, onde não faz distinção dos rituais judaicos e da influência desses rituais na teologia cristã,e, quando compara com a mitologia grega, parece que fala da mesma coisa, não atentando que uma não tem nada a ver com a outra, a não ser a noção intrínseca do sacrifício, que era uma tendência universal, coisa que até povos que viveram isolados da civilização já nasciam com essa noção, da busca da divindade, que foi pervertida ao longo do tempo, desde os primórdios da humanidade. Esqueceram que, quando Roma sonhava em ser uma cidade, Davi já compunha muitos salmos, e a teologia hebraica já era forte, pois a Torah já existia, e o conhecimento dos rituais dessa religião já apontava para a vida de Jesus, pois cada pormenor dos sacrifícios e de cada ritual da lei, já era um discurso em forma de figuras do que viria a ser o cristianismo.
Se esses autores procurassem conhecer a cultura judaico-cristã mais de perto, não cometeria tamanho deslize quando falassem deles. É vergonhosos que doutores tão conceituados cometam um erro desses, que denota não só desconhecimento, mas puro preconceito contra tudo o que representou o cristianismo no império Romano. Que o diga os doutores Maitland, Burnet, e Withow, os quais escreveram grandes obras sobre o Império Romano, de grande envergadura, onde mostra sem preconceito a verdade nua e crua do paganismo grego-romano, e toda a estrutura, e a relevância do cristianismo para enaltecer e mudar essa cultura de modo positivo.