segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A PROSOPOPEIA DE PROVERBIOS


O livro de Provérbios foi escrito por Salomão rei em Jerusalém, e faz parte da poesia hebraica, sapiencial, e de muito proveito. Da poesia bíblica também faz parte o livro de Salmos, Eclesiastes e Cantares, estes dois últimos escritor por Salomão, embora alguns eruditos achem que ele não escreveu esses livros, pelo menos em boa parte dos livros há autoria desconhecida.
Está claro que existia a poesia cultual em Israel, usada para tudo; cada evento na sociedade tinha seu gênero literário, e isso incluía a poesia, segundo afirmam Hermann e Gurkel.
Existiam os lamentos e canções, vindo da palavra qina, lamento; era escrito com cinco sílabas poéticas, contendo pesar e dor: 2 Sm 1.25; Jr 22.18; 2 Sm 1.22; 1.24; Lm 1.21,22; 2 Sm 1.19-27. Queixas: Sl 25; 51.3-559.3,4; Sl 22.4,5; 3-7; 9-13.
As festas anuais nas quais eram lidos os salmos 8, 23, 33, 77, 100, 103-104,111; entre eles, eram também lidos os salmos reais, como o 2, 110, 45, e 132, segundo Gunkel. A cultura popular influenciou na confecção desses salmos, ao invés de acontecer o inverso, como alguns creem.
Os salmos usados ou lidos nas cerimônias de entrada eram os seguintes: 5; 24; 68; 118; 132. Todos eles tinham um uso certo nessas cerimônias, como mostram estudos realizados por comentaristas como Gunkel e outros.
Mas são nos provérbios que o ensinamento hebraico tem uma desenvoltura mais dinâmica, segundo alguns. Os ensinamentos começam com o pai ou mãe, que são os primeiros mestres do jovem; mas também os mestres eram chamados de pai, um costume semítico. Segundo os estudiosos, os provérbios como ensinamentos didáticos, começou com Salomão, o rei de Israel. Há vários estilos literários usados para ensinar, entre eles a alegoria—Proverbios 5. 15,23; relatos—Pv 7.6-23; relatos do mestre—Ec 1.12-2.26; hinos—Jó 28.
O nome hebraico para o livro de Provérbios é Mishley Shalomon; nele há 6.915 palavras (Jenni, II, 689); está na terceira parte da Bíblia Judaica; é o terceiro mais antigo. A ordem que seguimos é a da Septuaginta, que dispôs os provérbios da forma que conhecemos hoje, e também foi confirmada pela Vulgata, a versão de Jerônimo, adotada pelo catolicismo. A veracidade desse livro foi confirmada por Josefo, Fílon, pelo Mishnah, e os Rolos do Mar Morto. Mas não são só esses escritores que atestam a veracidade de Provérbios, pois até o Corão fala que foi Salomão quem escreveu eles. Você pode ver isso nas Suras XXVIII,170; XXXIV, 190; e na Sura XXXVIII, 201.
Salomão, pois, é dono de 3000 provérbios, 1005 cânticos, além dos salmos 72, entre outro. O NT fala dele: Mt 6.29; Lc 12.27. O nome do de Salomão é citado três vezes no livro: 1.1; 10.1; 25.1. A seção que vai de 10.1-22.16 tem 375 provérbios; a seção de 25. 1-29:27 tem provérbios.
Outra coisa bem interessante nesse livro são os nome de Agur e Lemuel, que alguns rabinos achavam que eram outras designações para Salomão, o que não deixa de ser muito interessante. No entanto, ninguém sabe se há uma mensagem por trás desse nome, e a razão que fez com que o rei-autor usasse esses nomes para ele; já para alguns, esses nomes são de outras pessoas, que são descendentes de Ismael realmente,e seus nomes têm significados que louvam a Deus.
Prosseguindo, os capítulos 25-29 foram compilados por Ezequias, cerca de 250 anos depois. Um termo muito usado no livro é marshal, que tem o significado de parábola, profecia, dito breve, ou discurso. Jesus usou provérbios em seus ensinamentos, o breve e o comum.
Neste livro encontramos mais de 500 temas; a palavra jakan (sábio) é muito utilizada no livro sapiencial, como também musar (disciplina); beynah (inteligência); petiy (ingênuo); lets (burladores); tokajat (repreensão); tabunah (entendimento); temukah (perversidade), entre outras.
Alem do mais, esse livro é muito citado no NT, como nas passagens de 2 Pd 2.22 e Rm 12.20. Há 78 palavras no texto hebreu sem significado claro, ou obscuro; no livro de Provérbios, as quatro fontes de sabedoria são o lugar, o ancião, os profetas, e os sacerdotes. Além disso, segundo estudiosos da literatura semítica, a poesia sapiencial hebraica teve influência do Egito, Amom, Moabe. Nas pesquisas feitas, foram achadas provas disso, como as ostrakas, do Egito, contendo a sabedoria de Amenotepe, que, comparada com a literatura semítica, mormente a de Israel, encontraram certas semelhanças, mas a dos hebreus supera em qualidade aquela.
Outra palavra bastante usada na literatura sapiencial é qara,traduzida por chamar no livro de Provérbios; sabedoria vem da palavra jakemah, habilidade. No livro do sábio, toda a criação de Deus precisa escutar a mensagem divina; a sabedoria vai onde está o povo, pois todos precisam saber. É maravilhoso como ela se personifica numa prosopopeia maravilhosa, agindo como uma pessoa.
É usado um verbo shakam, habitar de modo permanente; tem também o significado de sabedoria para agir, como usado em 12.2; 14.17; 24.8. Os quatro bens da sabedoria são o conselho, a iniciativa, a coragem e a valentia. Fica claro que a justiça se alcança pela sabedoria, a justiça perfeita, permanente.
A sabedoria, então, usa o pronome na primeira pessoa aniy, eu, e começa a falar de suas maravilhas, suas mensagens ricas de sentido e beleza: 11.22; 17.3; 25.11.
Agora uma das maiores dificuldades no texto sapiencial desse livro é o do verso 22 do capítulo em voga; alguns a interpretam como sendo Cristo, baseando-se em Jo 1.1-5; 1 Co 1.18-31; Cl 1.15. Calvino interpretou essa passagem como sendo alusão a Cristo, enquanto que os rabinos dizem que é a Lei, certamente se referindo à sua perfeição.
A sabedoria termina seu lindo discurso dizendo ser tolo quem não a ama; esse tem uma estreita relação com a morte (veja também em 1.19; 2.16; 7.26,27).
Houve um livro chamado Bem Sirá, escrito no século II a.C., que tem um paralelo com o livro de Provérbios em vários trechos seu; no entanto, não é considerado canônico. O segundo livro vem de um judeu de Alexandria, Sabedoria de Salomão, mas só é aceito pela igreja católica, não sendo considerado pelas demais igrejas.
Provérbios é um livro de excepcional utilidade para o bem viver do jovem, e para que o tolo aprenda a ser sábio, e para o sábio ser ainda mais sábio; portanto, usufruamos dele.