quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A MUSA NEGRA DE SALOMÃO

Todo mundo praticamente já ouviu algum pregador dizer que a igreja é morena, queimada pelo Sol da Justiça. Ainda é muito comum se ouvir isso. Mas o que muita gente  não sabe é que no original não ha margem para "morena", pois isso não é raça. O termo  certo é negra.
Essa era a cor da sunamita, da qual Salomão tanto fala em Cantares, o Cântico dos Cânticos.
No versículo 5 do capítulo um,  a própria sunamita diz que é "negra como as tendas de Quedar". Não sei a razão de insistirem em chamar de morena. Sabe-se que foi influencia européia que viram isso sob a ótica do preconceito contra essa raça. Há um diálogo no poema que dá a entender que havia um preconceito contra ela por ser dessa cor.
A tradução de King James diz o seguinte: I am black but comely - eu sou bonita, mas negra- numa tradução livre. No hebraico é shekhorah ani VE na'vah.  E a tradução desse termo é bonita e negra, ou bonita mas negra. Pelo contexto a tradução mais apropriada é: "era bonita e negra". As Bíblias nas versões Atualizada e Corrigida também dizem morena ao invés de negra.
Não ha prova para dizer como muitos dizem que a rainha de Sabá era a sunamita, mas é aceitável que ela era de um país da África. Os irmãos dizem que a  igreja é morena (negra). Medo ou preconceito mesmo de dizer que é negra? Interessante...
A verdade é que o rei amava mesmo essa mulher com um amor que deixava transparecer toda a sua força. Muita gente nem imagina que é uma linda mulher africana o objeto do amor desse homem.Provavelmente foi fruto de uma aliança feita com algum reino africano da época, como Kush, Etiópia. Salomão conhecia o que era mulher bonita, pois o mesmo teve mil, trezentas esposas e setecentas concubinas. sabia o que estava dizendo. Não foi por acaso que no capítulo 1, 4 e  7 ele usa ricas e belíssimas metáforas para descrever o corpo de sua amada, para elogiar ela, como um marido faz com a esposa.Seu caráter também.
A sunamita era uma negra para lá de bonita, e isso fica claro nas palavras apaixonadas de Salomão, que, embora seja um livro inspirado, fala do amor de duas pessoas que se entregam ao mesmo de maneira agradável, justo e aprazível dentro das normas que vai ao encontro da vontade de Deus.