quarta-feira, 15 de outubro de 2008

SAÚDE PÚBLICA, UMA PIADA



A Saúde Pública está cada vez mais capenga, apesar do alarde do governo dizer que está a mil maravilhas. Eu mesmo tenho experimentado o descaso que está ela, atualmente. Estou tentando, faz um bom tempo, marcar uma simples operação para tirar um caroço de massa do meu pé. Parece até que é para operar minha alma, de tão difícil que está conseguir isso.
Eu marquei a consulta num Posto de Saúde de Beberibe, do Distrito Sanitário II, que também engloba Água Fria. Os clínicos de lá são só dois; antes era uns cinco, segundo disse um funcionário que trabalha lá. Desde que falei com a doutora, há uns meses, não consigo obter a marcação da operação. O regime agora é outro. Em vez da pessoa mesmo tentar marcar a consulta na instituição designada, o posto agora é quem marca. Nós temos que ficar à mercê da boa vontade da diretora do posto e de seus funcionários. Certa vez, o mês passado (novembro 2006), fui lá perguntar como estava indo a minha marcação. A mulher perguntou se meu caso era urgente. Eu disse então a ela que o caroço estava me atrapalhando a andar, calçar os sapatos, etc. Ela parou, ficou olhando para o vazio e depois disse que havia muita gente para marcar também, que eu tivesse paciência, que esperasse, pois poderia durar semanas, meses, até. Falei que era o jeito, já que não havia alternativa. Semanas se passam e eu volto lá. Pergunto na recepção, onde se marca as fichas, como está minha marcação para Ortopedista. A moça responde, após olhar uma pasta com a relação, que é na sala da diretoria. Vou lá. Faço a mesma pergunta, não à diretora (ela raramente está lá.) , mas à sua secretária, que segura as pontas enquanto ela faz não sei o quê. Depois de me perguntar de que se trata, eu lhe mostro meu caroço no pé. Ela olha para ele com quem fica assustada e me pede para eu vir uns três dias depois. Vou. Quando chego lá, percebo que a mulher está tensa, um pouco nervosa, como se estivesse trabalhando urgente para prestar contas a alguém, cheia de papeis na mesa. Ela fala comigo com se eu nunca tivesse pedido nada, sem que precisasse de operação. “Olhe, estou cheia de serviço aqui, não vai dar para lhe atender, você chegou numa péssima hora (como se eu fosse para lá jogar dominó com ela)”. Respondo que foi ela mesma quem mandou que eu fosse para lá.
Leia o blog: almamolhadajmoura.spaces.live.com/blog; vestedesonhador@yahoo.com.brTive que “aceitar” o que ela me disse sobre a marcação: “que irá demorar mesmo.” Desde esse dia não fui lá ainda; não sei nem como está lá. Tive a impressão que eles colocam os conhecidos na frente; os parentes também, como se fosse com o dinheiro deles, e não do povo. Tratam a gente como se estivessem nos prestando um favor, e não cumprindo com a obrigação deles. O povo sofre demais, enquanto os burgueses mamam nas tetas do governo. O sucesso dos Planos de Saúde é o fracasso da Saúde Pública. Se ela fosse de boa qualidade., o que seria dessas empresas de saúde e dos hospitais particulares? Não lucrariam quase nada. Há um complô dos governos para beneficiar esses empresários, com certeza, Jarbas foi um que deixou a Saúde Pública uma porcaria. Vide a Restauração, que tanto tem sofrido na gestão dele. Já João Paulo não tem sido diferente, embora um pouco melhor que o governador. O problema não é tanto o descaso, mas a dificuldade que é marcar uma ficha para um clínico, ou outro médico qualquer. Uma vez por mês. É mais fácil de conseguir quando a Agente de Saúde é amiga da pessoa; se não, ela, ou ele, nem na sua porta chega. É esse o critério adotado por algumas agentes de saúde , infelizmente. Conheço gente que sofre muito com uma que é desse jeito. Só marca para os amigos; apesar de ter ido reclamar com o Diretor do Posto, não obteve nada. Há muita conivência em relação a isso. Por isso que eu sofro. Eu e muitos outros.
Eu vou insistir até conseguir operar o caroço do meu pé. É a única alternativa que tenho. Pagar não posso– por enquanto– resta Deus me ajudar, por que se eu for depender só dessas pessoas, vou continuar com ele. Já dizia certo poeta: “Esse Sistema é um vampiro.”