quarta-feira, 15 de outubro de 2008

PASTOR LEÔNCIO, O HOMEM DE DEUS

PASTOR JOSÉ LEÔNCIO DA SILVA. Esse nome ficará para sempre gravado na memória dos cristãos pernambucanos, principalmente os da Assembléia de Deus. Ele deixou muitas saudades em todos nós. Principalmente em sua filha,irmã Judite, e sua esposa, a irmã Carmélia. Duas mulheres de Deus.Ele foi um homem cheio de sabedoria, e com um preparo tremendo para guiar o povo de Deus. Todo mundo gostava dele, até aqueles que se opunham ao seu ministério (há sempre esses na igreja, como havia no tempo de Neemias). Eu mesmo tenho muitas lembranças dele. E boas!
Gostava muito quando eu ia à Ceia do Senhor. Ficava esperando o momento em que o pastor Leôncio iria falar a palavra de Deus, com aquele jeito que lhe era bem peculiar. Não se podia dizer, ao contrário do seu genro e neto, que o pastor era um homem culto do ponto de vista secular. Em compensação, a palavra que ele pregava era cheia de sabedoria e unção de Deus. Não trocaria uma pregação do pastor Leôncio pela palavra de nenhum erudito. Que homem sábio! Lá em casa mesmo, todo mundo comentava do amor e dedicação dele. Da maneira que ele se expressava; do carinho; da atenção que ele dava a todo mundo. Um homem de Deus desse porte nunca é esquecido.
Toda congregação sonhava com o dia em que o pastor chegaria por lá. Quem não queria isso? Não se via ele com muita freqüência nas congregações do subúrbio,pelo menos no meu, mas quando via, valia a pena a espera! Nas festas dos círculos de oração, não poderia faltar. Claro que não dava para ele ir a todas, mas quando podia, não se negava. E a palavra sempre era uma palavra boa, ungida. Deus o usava de uma maneira muito especial. Graças a Ele por esse homem ter existido. Até hoje se fala muito do pastor José Amaro, mas nosso querido pastor Leôncio não fica atrás não. Tão espiritual e tão sábio quanto esse outro. Não que haja uma competição em relação a isso, apenas é questão de comparação.
Ele não tratava mal as ovelhas, nem o atual trata . Não era do tipo orgulhoso, que considera os demais irmãos inferiores a ele. Mesmo quando passava em seu  carro, ele demonstrava humildade. Nunca me esqueço uma vez em que eu estava no Templo Central, e ele passou por nós, a pé – éramos alguns jovens conversando lá atrás– e falou conosco dizendo o seguinte: “A paz do Senhor, jovens, tudo bem?” Isso saiu com tanta sinceridade, que nós nos alegramos. A impressão que nós tínhamos dos ministros, era que nunca falavam com a igreja, com os irmãos comuns, pois a cara sempre séria deles nos fazia pensar que eles achavam todos nós como “gentinha”. Era isso que acontecia com alguns. Era uma fama que muitas vezes vinha coberta de razão. Mas o que interessava era que quando o pastor Leôncio passava pela gente, tínhamos gosto de falar com ele. Ele sabia que a juventude é uma semente que precisa ser cultivada até que o fruto abunde. Um homem sábio.
Meu  cunhado gostava muito de vê-lo pregar. Novo-convertido, ele era fascinado pela forma ungida com que o pastor falava. Ele começava falando bem devagar, como quem vai ficar assim. De repente, ele ia aumentando o tom da voz até que, numa mistura de riso e de seriedade, com unção,chegava no clímax, despejando aquela leva de palavras que Deus colocava em seu coração. Toda a igreja "pegava fogo" quando ele falava. Às vezes ele dissertava rápido, uma palavra concisa, mas cheia de verdades bíblicas e unção de Deus. Aleluia! Quantas e quantas vezes muita gente não foi levantada pela palavra que ele falou, na forma que Deus o usou? Eu mesmo sou testemunha disso.
Não há com negar que ele era um bom administrador. Sabia como cuidar do povo de Deus. Sabia e muito! Os dons ministeriais estão aí para isso. Foi realmente chamado por Deus. Teve até um testemunho sobre isso, contado na igreja, mas que não lembro agora. Se acontecia alguma coisa errada aqui ou ali (se aconteceu, não sei só sei que o pastor Aílton saiu reformando tudo ), não foi culpa do pastor Leôncio. Sabemos que muita gente falava que havia muitas coisas erradas ocorrendo, da parte de alguns poucos irmãos que não estavam guardando a sua vida com Deus, segundo muita gente falou, mas que em nada maculou o bom caráter do pastor Leôncio, pois que culpa ele tinha se algumas pessoas não eram fiéis a Deus? Existia até um jornal na época chamado PARABÓLICA, que contava algumas coisas acontecidas nos bastidores da administração da igreja, e em outros setores dela. Ninguém até hoje sabe quem o publicava. Não conheço ninguém que saiba disso. Talvez algum conhecido meu saiba, mas nunca teve coragem de dizer, nem até agora tem, se ele sabe algo. Nosso pastor Leôncio nunca foi conhecido por ser um pastor omisso, ou um pastor do tipo mercenário, graças ao bom Mestre (nenhum pastor de Recife e Abreu e Lima é mercednário). Tinha amor às ovelhas. Havia defeitos nele, como há em todo ser vivente na face da terra. O seu genro está seguindo o exemplo dele, como todos vêm notando. Presumo que o pastor Aílton Júnior também, pelo que nós vemos nele. Em certo ponto o pastor Aílton é mais rígido que o pastor Leôncio, noutros é mais liberal. Mas ambos tem algo em comum: a dedicação e o amor ao evangelho de Cristo.
O pastor Leôncio era muito conciliador. Durante a administração dele, as igrejas de Abreu e Lima e Recife viveram na paz, concordando que eram todos filhos de Deus. Um ia à área do outro sem hesitação nenhuma. Nunca existiu essa “concorrência”, digamos assim. Lembro muito bem que o pastor José Gomes e seu filho Joabe iam muito a Caldeireiro, na época dirigido pela irmã Zeza, era um dos círculos de oração mais pentecostal aqui em Pernambuco. Era uma harmonia tremenda. Jamais se pensava no dia em que isso ia acontecer, o recrudescimento de uma coisa que era algo muito tênue na época, quase imperceptível. Não na gestão do pastor Leôncio. Muitos irmãos de Recife iam para os círculos de oração de Abreu e Lima, também conhecidos com os círculos de oração de “fogo”. Viviam em perfeita harmonia, as duas Convenções. O fato de o pastor Isaque ser amigo do pastor Leôncio, contribuiu muito para isso. Tenho um Mensageiro da Paz que mostra bem isso. É uma edição histórica, onde há muitas fotos dos pioneiros daqui de Pernambuco e de outra parte do país. Dá para ver, nessas fotos, o pastor José Amaro, pastor Leôncio, e o pastor Isaque, entre outros.Essa foto foi publicada num livro escrito pelo presidente da igreja de Abreu e Lima, contando como foi a pregação nessa parte de Pernambuco. Todo mundo deveria ler isso. Deve ser por isso, por terem lutado juntos na obra do Mestre, que os dois viviam em harmonia. Todos os dois conheceram boa parte dos pioneiros, como Joel Carlson e sua esposa e amigos. Conversando um pouco com um presbítero sobre isso, a separação de ambas as igrejas, disse ele que o pastor Isaque deveria pedir perdão pelo fato de ter sido “rebelde”. Não concordei com ele. Achei muito imprudente ele dizer isso, e essa sua ideia  muito presunçosa. O pastor Isaque não foi rebelde coisa nenhuma. Isso, a separação de Abreu e Lima e Recife, foi apenas uma circunstância. Só isso. Acho que houve razões para isso. O grande pastor Paulo Leivas Macalão, autor e tradutor de muitos hinos da harpa,  talvez não tenha sido considerado “rebelde” por ter fundado a Assembléia de Deus do Ministério da Madureira. É isso. Isso é outra história.
O que importa é que tivemos um grande homem, chamado por Deus e que mudou a história da Igreja Assembléia de Deus em Pernambuco, para melhor. Glória a Deus! O enterro dele, do pastor Leôncio, foi um dos mais concorridos, comparando-se ao do pastor José Amaro, que dizem que foi uma coisa tremenda também. Graças a Deus por um homem dedicado à Sua obra. Assim com falam do pastor José Amaro, falarão muito, e já estão falando, do pastor José Leôncio – bem, é claro –, que por muito tempo haverá de ser lembrado como um grande homem de Deus. Amém.